Por Romário Cavalcante · Engenheiro Civil · CREA-GO 1017602964D

A protensão no Brasil é regida por um conjunto de normas, e não por uma só. A ABNT NBR 6118 trata do projeto, a ABNT NBR 14931 trata da execução, a ABNT NBR 7483 trata das cordoalhas, e outras normas cuidam do concreto, da segurança da equipe e da responsabilidade técnica. Quem projeta, contrata ou executa protensão precisa saber o que cada uma cobre e qual edição está em vigor.

Profissional da Brasil Protensão conferindo os cabos de uma viga protendida antes da concretagem
Conferência dos cabos antes da concretagem: projeto, material, execução e segurança seguem normas diferentes.

Resumo rápido

Norma Assunto Quem mais usa
ABNT NBR 6118:2026 Projeto de estruturas de concreto, inclusive protendido Projetista
ABNT NBR 14931:2023 Execução de estruturas de concreto armado, protendido e com fibras Construtora e empresa de protensão
ABNT NBR 7483:2021 Cordoalhas de aço para concreto protendido Fornecedor, obra e projetista
ABNT NBR 7482 Fios de aço para concreto protendido Pré-moldados (pré-tração)
ABNT NBR 7681 (partes 1 a 4) Calda de cimento para injeção de bainhas Protensão aderente
ABNT NBR 12655 Preparo, controle e recebimento do concreto Construtora e concreteira
ABNT NBR 9062 Estruturas de concreto pré-moldado Fábricas de pré-moldados
NR 18 e NR 35 Segurança na construção e trabalho em altura Todos na obra
Lei 6.496/1977 Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) Projetista e executora

NBR 6118: o projeto

É a norma que o projetista estrutural usa para dimensionar a estrutura. Para a protensão, ela define a classe mínima do concreto, o cobrimento dos cabos, a tensão máxima no aço, o cálculo das perdas de protensão e os níveis de protensão exigidos em serviço.[1]

A edição em vigor é a NBR 6118:2026, que é a edição de 2023 com a Emenda 1, publicada em março de 2026. Para a obra, o mais importante é que o projeto informe com clareza a força de cada cabo, o traçado, a resistência do concreto para protender e o alongamento teórico. Detalhamos esses pontos em NBR 6118 e protensão e a história das edições em evolução da NBR 6118.

NBR 14931: a execução

É a norma mais presente no dia a dia da empresa de protensão. A edição de 2023 se chama “Execução de estruturas de concreto armado, protendido e com fibras: requisitos” e tem anexos específicos para a protensão com aderência e sem aderência.[2] Entre os pontos que ela cobre:

Explicamos cada etapa em NBR 14931 e protensão, e a tolerância de alongamento no artigo sobre o relatório de alongamento na protensão.

NBR 7483: as cordoalhas

Define os requisitos de fabricação, fornecimento e recebimento das cordoalhas de três e sete fios, nuas, entalhadas ou engraxadas e plastificadas. A edição vigente é a de 2021, que incorporou uma emenda à edição de 2020 e passou a tratar das cordoalhas engraxadas, que não existiam na edição de 2008.[3], [4]

Na obra, ela serve para conferir o material recebido: categoria (por exemplo, CP 190 RB), diâmetro, identificação do lote e certificado do fabricante. A cordoalha CP 190 RB de 12,7 mm, a mais usada em lajes, tem área de 101 mm² e carga de ruptura mínima de 183,7 kN pela norma.

Equipe em laje com cordoalhas engraxadas em montagem antes da concretagem
Cordoalhas engraxadas em montagem: o material segue a NBR 7483 e a montagem, a NBR 14931.

NBR 7482 e NBR 7681: fios e calda de injeção

A NBR 7482 trata dos fios de aço para protensão, mais comuns na pré-tração de peças pré-moldadas. A NBR 7681, dividida em quatro partes (requisitos, fluidez e vida útil, exsudação e expansão, e resistência à compressão), trata da calda de cimento usada para preencher as bainhas na protensão aderente. A calda envolve o aço, cria a aderência com o concreto e protege o cabo da corrosão; por isso sua fluidez, exsudação e resistência são controladas.

NBR 12655 e o controle do concreto

A protensão depende do concreto: o momento de protender é definido pela resistência na data, e a classe do concreto foi escolhida pelo projetista para resistir às forças concentradas das ancoragens. A NBR 12655 define como o concreto é preparado, controlado e recebido. A moldagem e o rompimento dos corpos de prova seguem a NBR 5738 e a NBR 5739.

Na prática: a protensão só começa quando o rompimento de corpos de prova confirma a resistência mínima pedida no projeto. Para isso, a obra molda corpos de prova extras, curados nas mesmas condições da laje.

NBR 9062: pré-moldados protendidos

Lajes alveolares, vigas e outras peças pré-moldadas protendidas por pré-tração seguem também a NBR 9062, que trata do projeto e da execução de estruturas de concreto pré-moldado.

Segurança: NR 18 e NR 35

A protensão trabalha com cordoalhas tensionadas com cerca de 15 toneladas-força cada e com equipamentos hidráulicos de alta pressão. A NR 18 (segurança e saúde no trabalho na indústria da construção) e a NR 35 (trabalho em altura) se aplicam a toda a equipe. Na protensão, os cuidados práticos incluem isolar e sinalizar a área, não permitir ninguém atrás do macaco nem à frente do cabo durante o tracionamento, e amarrar macaco e bomba à estrutura em bordas de pavimentos altos.[5]

ART: responsabilidade técnica

O projeto e a execução da protensão são serviços de engenharia e exigem Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), conforme a Lei 6.496/1977. A construtora deve exigir a ART da empresa de protensão e o relatório de protensão ao final do serviço.

Manuais técnicos de referência

Além das normas, dois manuais brasileiros detalham a boa prática de execução:

Manuais não substituem as normas, mas ajudam a aplicá-las. Em caso de diferença, prevalecem o projeto e a norma.

Ordem de prioridade na obra

  1. O projeto: se fixa um critério próprio, como uma tolerância de alongamento de ±7%, vale o do projeto.
  2. As normas ABNT: valem quando o projeto não define outro critério e nunca podem ser contrariadas por ele em requisitos mínimos.
  3. Os manuais técnicos: orientam a prática dentro do que projeto e normas permitem.

Perguntas frequentes

Qual norma trata da execução da protensão?

A ABNT NBR 14931:2023, Execução de estruturas de concreto armado, protendido e com fibras: requisitos. Ela tem anexos específicos para protensão com e sem aderência.

Qual norma trata do projeto de concreto protendido?

A ABNT NBR 6118, Projeto de estruturas de concreto. A edição em vigor é a NBR 6118:2026, formada pela edição de 2023 e pela Emenda 1 de 2026.

Qual norma especifica as cordoalhas de protensão?

A ABNT NBR 7483:2021, que trata das cordoalhas de três e sete fios, nuas, entalhadas ou engraxadas e plastificadas.

Qual a tolerância de alongamento na protensão?

Na falta de outro critério no projeto, a ABNT NBR 14931:2023 admite ±10% entre o alongamento teórico corrigido e o medido. Se o projeto fixar outro limite, vale o do projeto.

A execução da protensão exige ART?

Sim. É um serviço de engenharia e exige Anotação de Responsabilidade Técnica, conforme a Lei 6.496/1977.

Manual da ABP é norma?

Não. O Manual Técnico ABP-MT-001:2022 é uma referência de boa prática da Associação Brasileira de Protensão. As exigências obrigatórias estão no projeto e nas normas ABNT.

Quer uma execução de protensão de acordo com as normas? Fale com a Brasil Protensão.

Referências técnicas

  1. ABNT NBR 6118:2023, Projeto de estruturas de concreto, com a Emenda 1:2026 (equivalente à ABNT NBR 6118:2026).
  2. ABNT NBR 14931:2023, Execução de estruturas de concreto armado, protendido e com fibras: requisitos.
  3. ABNT NBR 7483:2021, Cordoalhas de aço para estruturas de concreto protendido: especificação.
  4. Belgo: ABNT NBR 7483:2020, veja as mudanças para cordoalhas de aço.
  5. ABP, Manual Técnico ABP-MT-001:2022, Execução de estruturas protendidas.
  6. Cauduro, E. L. Manual para a boa execução de estruturas protendidas usando cordoalhas de aço engraxadas e plastificadas. 2ª ed. Belgo Bekaert.