Por Romário Cavalcante · Engenheiro Civil · CREA-GO 1017602964D

A ABNT NBR 6118, norma brasileira de projeto de estruturas de concreto, nasceu em 1940 com o nome de NB-1 e passou por seis grandes etapas até chegar à NBR 6118:2026. Começou como um texto de 24 páginas que tratava de cálculo e execução do concreto armado. Hoje é um documento de centenas de páginas, só de projeto, que cobre também o concreto protendido, a durabilidade e a avaliação independente do projeto.[1]

Linha do tempo da NBR 6118: NB-1 de 1940, NB-1 de 1960, NBR 6118:1978, NBR 7197:1989 de concreto protendido, NBR 6118:2003, 2014, 2023 e Emenda 1 de 2026
As principais edições da norma brasileira de projeto de concreto.

1940: a NB-1, primeira norma técnica brasileira

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) foi fundada em 1940, no Rio de Janeiro, e sua primeira norma foi a NB-1, “Cálculo e execução de obras de concreto armado”. Ela nasceu da união de duas propostas, uma da Associação Brasileira de Concreto e outra da Associação Brasileira de Cimento Portland, e teve como principais autores José Furtado Simas e Telemaco van Langendonck.[1]

Eram 24 páginas em formato A5, com influência da norma alemã DIN 1045. O texto juntava em um só documento o cálculo, as disposições construtivas, os materiais e a execução das obras. A revista Concreto da época destacou que não se tratava de tradução de regulamentos estrangeiros, mas de uma norma feita por brasileiros.[1]

1960: a resistência característica (fck)

A NB-1 de 1960 manteve os capítulos de 1940 em 19 páginas A4, mas trouxe dois conceitos que estão em uso até hoje: o cálculo na ruptura para todas as solicitações e a resistência característica do concreto, o fck, definida por critério estatístico. Entre os autores estavam Fernando Luiz Lobo Carneiro e Telemaco van Langendonck, e a revisão contou com a cooperação do Comitê Europeu do Concreto (CEB).[1]

1978: estados-limites e o nome NBR 6118

A NB-1 de 1978, que em 1980 foi registrada como NBR 6118, cresceu para 53 páginas. Ela adotou o método dos estados-limites, separando as verificações de ruptura (estados-limites últimos) e as de uso (estados-limites de serviço), em linha com as recomendações europeias da época. Péricles Brasiliense Fusco, Lauro Modesto dos Santos e Augusto Carlos de Vasconcelos estavam entre os autores.[1], [4]

Nessa época o concreto protendido tinha norma própria. A NB-116, registrada como NBR 7197, “Projeto de estruturas de concreto protendido”, teve sua edição final publicada em 1989.[3]

2003: projeto separado da execução e o protendido incorporado

A edição de 2003 foi a maior mudança da história da norma. Depois de mais de dez anos de trabalho, o texto foi totalmente reorganizado na sequência do projeto e chegou a 221 páginas.[1] Três decisões marcaram essa edição:

Para a protensão, foi a edição que colocou num só texto as regras de tensão no aço, perdas de protensão e níveis de protensão. Em 2007 a norma recebeu uma emenda, e em 2008 foi aprovada pelo comitê técnico de concreto da ISO (ISO/TC 71) como norma de padrão internacional.[1], [2]

2014: concretos de alta resistência e avaliação do projeto

A terceira edição, publicada em abril de 2014, manteve a estrutura de 2003, com cerca de 260 páginas.[1], [5] As principais novidades foram:

Essa foi a edição que a maior parte do mercado usou por quase uma década.

2023: ajustes na protensão

A edição de 2023 trouxe novos coeficientes e critérios. Os que mais interessam à protensão:[6], [8]

2026: a Emenda 1

Em 11 de março de 2026 a ABNT publicou a Emenda 1. Ela não substitui a edição de 2023: as duas são lidas juntas, e o conjunto equivale à NBR 6118:2026.[7] O prefácio da NBR 6118:2026 traz a regra de transição: ela não se aplica a projetos protocolados para aprovação antes da publicação nem aos protocolados em até 180 dias depois dela; nesses casos, vale a edição de 2023.[9]

Pontos da emenda que afetam a protensão:[6]

Outras mudanças da emenda: a Avaliação Técnica de Projeto (ATP) ganhou regras detalhadas, com classes de consequência e independência do avaliador, baseadas na Recomendação ABECE 002:2015; lajes em balanço, como marquises, passam a exigir armadura inferior contra colapso total; e emendas por traspasse ficam proibidas em barras acima de 32 mm.[6], [7]

Laje protendida em montagem com cordoalhas engraxadas distribuídas e concentradas em faixa
Laje protendida em montagem: desde 2003 as regras de projeto desse tipo de laje estão na própria NBR 6118.

O que essa história mostra

Para saber o que a edição atual exige de um projeto protendido, leia NBR 6118 e protensão.

Perguntas frequentes

Qual foi a primeira norma de concreto do Brasil?

A NB-1, de 1940, primeira norma publicada pela ABNT. Tratava do cálculo e da execução de obras de concreto armado em 24 páginas.

Quando a NB-1 virou NBR 6118?

A edição de 1978 da NB-1 foi registrada como NBR 6118 em 1980.

Quando o concreto protendido entrou na NBR 6118?

Na edição de 2003. Antes, o protendido tinha norma própria, a NBR 7197 (NB-116), cuja última edição é de 1989 e que foi cancelada com a nova NBR 6118.

Quais são as edições da NBR 6118?

NB-1 de 1940, NB-1 de 1960, NBR 6118:1978, NBR 6118:2003 (com emenda em 2007), NBR 6118:2014, NBR 6118:2023 e a Emenda 1 de 2026, que junto com a edição de 2023 forma a NBR 6118:2026.

Existe uma NBR 6118:2026?

Sim, mas não como texto reescrito. É a edição de 2023 lida junto com a Emenda 1, publicada em 11/03/2026.

Por que a execução não está mais na NBR 6118?

Desde 2003 a NBR 6118 trata só do projeto. A execução passou para a ABNT NBR 14931 e o controle do concreto para a ABNT NBR 12655.

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Referências técnicas

  1. Kimura, A. E.; Hampshire, S. ABNT NBR 6118: evolução, tendências e desafios. Palestra, IBRACON/ABECE, 2013.
  2. Cimento Itambé: Revisão realça NBR 6118 como referência internacional.
  3. ABNT NBR 7197:1989, Projeto de estruturas de concreto protendido (cancelada). Catálogo Target.
  4. ABECE/AECweb: Tudo o que você precisa saber sobre a nova norma de execução de estruturas de concreto, a ABNT NBR 14931:2023.
  5. Instituto de Engenharia: ABNT NBR 6118:2014, considerações sobre a nova norma.
  6. APL Engenharia: NBR 6118:2026, o que mudou com a revisão e como aplicar cada alteração.
  7. ABECE: NBR 6118 tem emenda publicada pela ABNT.
  8. Sienge: O que é NBR 6118, projeto de estruturas de concreto.
  9. ABNT NBR 6118:2026, Projeto de estruturas de concreto (edição de 2023 com a Emenda 1:2026): prefácio, item 9.6.3.3.2.2 e Tabela 13.4.